Introdução
O primeiro Land-Rover de que tenho memória ter visto, foi o emblemático 109 laranja dos S.T.C.P. o qual durante largas décadas esteve ao serviço desta companhia portuense de transportes urbanos. Longe estava eu nessa altura de imaginar que iria também eu ser “contagiado pelo vírus” dessa mítica marca de viaturas...

 
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Após ter recuperado um Land-Rover 88 Serie IIA, comecei a dar umas voltas e nada mais natural que começar a tirar fotos à linda viatura. Até que reparei no facto de o aspecto e o tipo de viatura que é se prestava a uma série temática de fotos à qual resolvi dar o título acima. Pretendo com elas mostrar alguns aspectos da minha cidade natal que reputo de mais originais do que aquelas que aparecem em qualquer postal ilustrado à venda aos turistas. 

Ao passar pelos locais mais emblemáticos da cidade do Porto, pretendo mostrar sobretudo como têm sido conservados e/ou restaurados diversos edifícios e espaços verdes, ou mesmo como edifícios de habitação dita “horizontal” se podem enquadrar de forma relativamente harmoniosa, se envolvidos pelos espaços verdes adequados.

Vou subdividir esta apresentação nas seguintes partes:
1. Da zona da Av. Mar. Gomes da Costa à do Campo Alegre (Massarelos) e de regresso, passando pela zona do Bessa.
2. A Foz velha e a subida do rio até Miragaia, passando por Massarelos (parte baixa).
3. O Porto ribeirinho (Ribeira, Barredo, S. Nicolau)
4. A “baixa” portuense, incluindo vistas nocturnas.
5. A Foz, do rio ao Castelo do Queijo

Onde possível, farei menção das famílias que habitam ou habitaram nos edifícios mostrados, sem com este gesto querer de forma alguma ferir a respectiva privacidade das mesmas.

 Parte 1
O percurso inicia-se frente a minha casa, junto ao cruzamento da Av. Da Boavista com a do Dr. Antunes Guimarães, vulgo “Fonte da Moura” (foto 1). É uma zona de construções maioritariamente unifamiliares, e relativamente recentes (10 a 40 anos). 

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Daí passamos por Serralves, aquele majestoso parque que ocupa um quarteirão inteiro e enorme, flanqueado de um dos lados pela Av. Marechal Gomes da Costa (foto 2) Não nos detemos pelo edifício principal, já sobejamente conhecido e divulgado. Vem-me contudo à memória a magnífica peça de teatro da autoria do escritor portuense Mário Cláudio que a emblemática “Seiva Trupe”, do Teatro do Campo Alegre, levou à cena há uns anos e denominada “O estranho caso do trapezista azul”, peça essa que alegadamente retratava cenas da vida da família que outrora habitava o referido prédio. 

 Daqui damos um salto à zona do Campo Alegre, junto ao “polo universitário”, onde a edilidade portuense está a restaurar diversas habitações junto do que resolveu chamar “Caminhos do Romântico”, ligando um dia a parte alta de Massarelos aos jardins do Palácio de Cristal. 

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Nesta zona percorremos a rua da Pena e a rua do Gólgota, que em tempos juntamente com a Rua de D. Estefânia, para além da rua do Campo Alegre, eram ruas importantes na segunda metade do séc. XIX, nelas habitando inúmeras famílias de grande reputação na cidade. Do alto de Massarelos, da Travessa da Pena, avista-se o lado de lá do rio, Gaia, por de cima do amplo vale no qual se situa a rua de D. Pedro V. 

 De passagem novamente pela rua do Campo Alegre, passamos ainda por alguns dos edifícios universitários e estatais instalados em mansões majestosas que em tempos idos foram pertença de conhecidas figuras portuenses (entre os quais o meu bisavô Gustavo Adolfo Burmester, a família Andresen e a família do industrial têxtil Primo Madeira). A propósito devo referir que os jardins destas mansões bem mereceriam serem melhor cuidados, pois representam um espólio inestimável do que foi o Porto em fins do séc. XIX até, digamos, aos anos 60 do século seguinte.

Click para ver o álbum completo...!A fotografia da mansão da família Madeira  representa uma homenagem muito pessoal a um falecido genro do seu patriarca, de seu nome Enrique Adler, de origem alemã, e que construiu de forma artesanal o telescópio existente na cúpula do Colégio Alemão, um pouco adiante na Rua de Guerra Junqueiro, e que foi meu professor de  noções de astronomia naquela instituição de ensino.

Um pouco mais abaixo situa-se um enorme palacete que foi mandado construir por um cidadão dinamarquês no séc. XIX, J. H. Andresen de seu nome  e que com os acima citados das famílias Burmester e Madeira constituem ainda hoje uma imponente frente retratando o que foi o estilo de vida das famílias da época aqui no Porto.

Click para ver o álbum completo...! Este palacete e os jardins envolventes, dos quais se mostram alguns aspectos, são hoje o que pomposamente se denomina de “Jardim Botânico do Porto”. No palacete Burmester está sediada a Faculdade de Psicologia, e duvido que os alunos e professores que a frequentam tenham alguma ideia da vida que naqueles edifícios se levava um século atrás...

 Os jardins frondosos de que falamos prestam aos edifícios modernos de habitação da zona uma envolvente verde invejável, semdo toda aquela zona das mais verdejantes de toda a cidade do Porto . E a pé percorremos uma das mais emblemáticas artérias da zona, a rua de António Cardoso. Aqui vemos um majestático palacete bem conservado, hoje colégio particular, e mesmo ao lado dois “polos opostos” dentro do que foi outrora o (ainda hoje bem conservado) parque da família Villar d’Allen (aparentada da família Ramos Pinto).

Click para ver o álbum completo...!Primeiro passamos por uma pequena vivenda de traça característica dos anos 50/60 do século passado, ainda hoje habitada por um elemento da família Allen e mesmo ao lado passamos a ver um dos mais espectaculares palacetes de toda a cidade: o do patriarca da família, hoje património citadino . 

Do outro lado da rua fica a casa do estilo anos 20 que foi pertença dos Castro Lemos (hoje um espaço de exibição de pintura), e ao lado pode testemunhar-se a recuperação de outra vivenda do mesmo estilo . Grande parte destas moradias, palacetes e vivendas fazem-me avivar a minha memória de juventude, pois frequentava estes espaços por ter na época sido amigo de grande parte dos filhos dos seus proprietários.

Click para ver o álbum completo...!Continuamos a nossa caminhada rua acima e deparamos com a casa que foi da família Figueiredo, na esquina com a rua de Feliciano Castilho e, entrando um pouco por esta artéria acima, vemos alguns dos exemplos de moradias unifamiliares que foram sendo ali construídas principalmente nos anos 40 e 50 do século passado, aquando da urbanização da zona. Regressamos à rua de António Cardoso e paramos defronte do palacete que foi da família Bravo, na esquina com a rua de António Patrício.

Em seguida passamos para o outro lado da rua de António Cardoso, onde existe um conjunto de habitações de propriedade horizontal mandadas construir nos anos 60 e 70 do séc. XX pela família Bessa Ribas, que ali possuía não só um imponente palacete (infelizmente desaparecido) mas também uma enorme quinta, que se estendia desde a Avenida da Boavista até ao que é hoje a V.C.I., junto a Lordelo. 

Click para ver o álbum completo...!O “miolo” desta urbanização foi construído sob supervisão do próprio dono, António de Bessa Ribas e seus filhos, que souberam dar a todo este espaço uma envolvente paisagística muito rara de se encontrar na cidade, com um frondoso espaço verde muito bem cuidado no seu centro. Até o “ecoponto” local se encontra enquadrado de forma um tanto “harmoniosa”... 

Dando um passo mais adiante, em pleno cruzamento do Bessa, podemos ver um dos primeiros prédios de habitação horizontal edificado  onde outrora existia o palacete da família Gonçalves de Azevedo. 

Click para ver o álbum completo...!Não posso deixar de referir que naquele cruzamento existiam na minha juventude um conjunto único de palacetes e habitações, rodeadas de fantásticos jardins e parques: o da família Bessa Ribas já citada, onde hoje se encontra o “monstro” de perto de 20 andares, em frente ao hotel Meridien; entre as ruas de Pedro Hispano e do Tenente Valadim, a mansão da família Burmester Ribas (onde neste momento se está a construir mais uma “torre”); e mesmo abaixo do antigo palacete dos Gonçalves de Azevedo já referido, existia um dos mais lindos exemplares de palacete “belle époque”, edificado nos fins do séc. XIX, e que foi pertença da família de Julius Gerhard Burmester, bisavô do conhecido pianista da actualidade Pedro Burmester. 

Hoje, fruto da actuação de autarcas sem visão, sentido de estética e vontade de preservação de património ímpar para gerações vindouras, vemos nesse espaço o “elefante branco” que dá pelo nome de “edifício Dallas”...

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Parte II

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Parte III

Texto e Fotos de Carlos Gilbert.
Porto 31 de Março de 2002



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(Continua...)



 

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