©TTVerdePt (01-12-2000)   

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----- Original Message -----(Msg #057)
From: Carlos Gilbert [mailto:cgilbert@.......]
Sent: Sunday, February 24, 2002 4:13 PM
To: webmaster@ttverde.com
Subject: Trial dos Campeões


Caro Álvaro,

Após reflexão e depois do que - como espectador ocasional - vi durante o ano de 2001 em algumas "mangas" do «Critérium», e sabendo que este ano o dito evolui para um Campeonato a sério, permito-me enviar alguns comentários, sabendo que estes valem o que valem, mas da minha parte vai a garantia de que o faço de forma que reputo de isenta, uma vez que nada me liga à referida prova (ou melhor, conjunto de provas), a não ser uma amizade com alguns dos participantes, cimentada ao longo dos anos em que nos temos encontrado por montes e vales, mas que sei deixar aqui de lado para não influenciarem a análise.

1. Objectivo

Como espectador, julgo poder afirmar que as provas do ex-Criterium (agora Campeonato) possuem um elevado grau de atracção. Ao passo que no Campeonato de TT de velocidade o que conta é a destreza ao volante, a rápida orientação para reconhecimento do percurso certo e a robustez mecânica, no TT "trialeiro" o que conta é a capacidade de orientação para encontrar determinados "waypoints", e na fase seguinte o esforço de equipa para superar os trechos ditos "trialeiros". 
Sou do tempo em que todas as equipas participantes partilhavam de um enorme espírito de camaradagem, de convívio, e quem me conhece sabe que assisti desde o início aos eventos conhecidos por "Trial Todosx4 da Lousã", e que fiz inclusive duas reportagens do primeiro "Critério" para uma revista da especialidade.
Devo confessar, para bem do entendimento do que aqui escrevo, que não posso dissociar a prática do TT do ambiente em que o mesmo é praticado. Daí ter compreensão quando determinada autoridade nega acesso a uma caravana de X veículos 4x4 em determinada zona, por danificarem os caminhos florestais (o que aconteceu recentemente na Madeira). É o início do "preço" que vamos ter que pagar, por termos todos abusado desmesuradamente durante anos a fio...
Mas, deixando conceitos de base de parte, gostava que o "Objectivo" do Campeonato deste ano fosse primariamente o desafio entre as equipas, e não a concorrência egoísta (e porque não, mercantilista) das marcas em jogo. Eu vou dar um exemplo, e para isso vou ter que citar nomes, mas faço-o com fins meramente descritivos:
No "Trial da Lousã" do ano de 2000, assisti a um cenário que nunca me irei esquecer: foi a primeira vez que aquela prova contava para o "Critério", portanto os participantes distinguiam-se um tanto dos que em anos anteriores tinham participado naquele evento, de uma forma mais "amadora", digamos. Pois nunca mais me hei-de esquecer do que foi o ambiente no parque onde os participantes tinham as suas bases instaladas, com tendas de campismo, roulottes, veículos e equipas de assistência, e do que aconteceu no final da prova nocturna. Um dos participantes, conhecido por "Manuel Assador", tinha trazido uma equipa completa de profissionais da restauração para assarem ali, ao ar livre, defronte do enorme "paredão" que é a Serra da Lousã, um porco inteiro na brasa! É indescritível o ambiente que se viveu aí, por volta da meia-noite, em que se vê os participantes chegarem da prova nocturna, e todos, sem excepção, poderem servir-se livremente de uma (ou várias...) valentes sandes de porco assado ali mesmo à nossa frente!
Será possível manter-se este tipo de espírito de camaradagem e amizade em Campeonatos futuros? Deixo a interrogação no ar.

2. O Trial dos Campeões

Não me compete "julgar" ninguém, até porque não conheço os "meandros" da questão. Mas deixo umas quantas perguntas no ar, pois polémicas temos nós tido que chegue nestes tempos! Faço-o sem má vontade, mas porque o bom-senso comum basta para fazer umas quantas interrogações:

"A ideia do evento para consagração dos melhores pilotos do Critérium Navegação e Trial – CNT, surgiu após umas conversas havidas no âmbito de suposta amizade com uma personagem responsável do critérium do que resultou a decisão de avançar com a dita prova"

Uma prova de final de Campeonato é posta de pé baseada numa "suposta amizade"??? Concebo que a motivação inicial possa basear-se numa eventual amizade, mas por algum motivo já lá diz a sabedoria popular portuguesa que "amigos, amigos, negócios à parte"!!! Uma prova de consagração tem de ser meticulosamente preparada e concebida "à prova de quaisquer imprevistos", isto é, de início baseada em protocolos claros, transparentes, escritos e assinados pelas partes!

"Bem, após acertado verbalmente, foi aceite de imediato o evento atribuindo o nome de Trial dos Campeões à semelhança do que se faz nas ilhas Canárias com os campeões de Ralis."

Volto ao mesmo: começam-se trabalhos árduos e com responsabilidades profundas (não só devido ao prestígio, mas também devido aos custos envolvidos) com base em "acertos verbais"??? Era interessante saber se nas Canárias também as coisas são feitas com base em "amizades" e "acordos verbais"...


"Depois de termos tudo isso para oferecer, transporte das viaturas a 50% do valor, preços de estadia reduzidos e termos providenciado lembranças de Cristal para todos os participantes à semelhanças dos troféus do 1º, 2º e 3º classificados da prova, que mais é que os organizadores do critérium queriam? Dinheiro …?" 

Ninguém sabe! O que foi estipulado em contrato? Quais os termos do mesmo? Quais foram "as linhas com que cada qual se cozeu", para voltarmos a uma fraseologia popular portuguesa? Havendo os detalhes descritos em contrato assinado pelas partes, seria fácil saber-se com transparência quem quebrou que tipo de compromissos, e fácil seria pedirem-se compensações por quebra de contrato, se é que a houve.

"Em Santa Maria da Feira por altura da ExpoAventura houve umas exigências nunca antes faladas, mas que mantivemos a nossa posição apenas em duas:"

A mesma pergunta: foi tudo feito e concebido com base em "assuntos falados"???

"• Exigência de publicidade exclusiva duma revista da modalidade onde nós não concordamos com a exclusividade dado que nós andamos no TT á 12 anos e sempre tivemos o total apoio de uma outra revista que têm mostrado trabalhos merecedores de grandes elogio. 
• Exigência de um pagamento de 200.000$00 para um senhor dum canal TV desportivo, independentemente do programa social que era oferecido a toda a Comunicação Social, do que discordávamos por completo."


Pois tinham os organizadores todo o direito de "discordarem por completo", se se tivessem escudado atempadamente em compromissos delineados como a seriedade do evento o exigia, ou seja, o tal contrato entre as partes envolvidas. Ou, posto de outro ângulo, a haver o referido contrato fácil seria rebater eventuais "exigências de última hora"...

"Nós organizadores sabemos, para organizarmos minimamente bem organizado qualquer evento, privarmo-nos de estar com a família muitos fins-de-semana e muitas horas fora da hora de expediente que são destinadas a reuniões."

Peço licença para afirmar que argumentos destes não vêm aqui nada a propósito! Quem se mete em organizações deste cariz tem de saber à partida quais os sacrifícios que tem de aceitar a nível pessoal, ou então não se mete neste tipo de "trabalhos". Vir com este tipo de justificações, perdoem-me, é aquilo a que se costuma chamar em jornalismo de "vitimização", ou em português corrente, "lamechice"...

"Nos finais de Novembro e dia 1 de Dezembro mais uma deslocação por altura do Congresso porque interessava ver e ouvir o que se discutia sobre o TT e inclusivamente entregar em mão uma cópia do protocolo existente que no qual o Sr. Presidente da FPTT assinou a testemunhar e que o responsável da CNT dizia não possuir por ter perdido."

Então sempre havia "protocolo" assinado entre as partes? Então se havia, qual o problema em rebater eventuais "exigências de última hora"? E havendo um "protocolo" entre "entidades com pergaminhos" - o termo é meu - não havia nenhuma cláusula para eventual "rompimento de contrato"? Como "outsider" não compreendo tanta confusão, se - como se vê agora e aparentemente - havia protocolo assinado pelas partes!

"Entretanto após trocas de ofícios para acertar inscrições de participantes e credenciais diversas, aconteceu para nosso espanto receber-mos um Ofício em que mencionavam os pontos atrás referidos e mais alguns referenciando cláusulas diversas dum caderno de encargos desconhecido, nunca recebido nem tão pouco assinado por nós. Como é óbvio foi feito de imediato Ofício a questionar pelo caderno de encargos, e por incrível que pareça foi-nos enviado o referido caderno por via Fax do dia 31 de Dezembro."

A ser assim, qual a dúvida? Qual a necessidade de vir com longos comunicados quando há um suporte legal assinado - como referem - com o clausulado todo? E sendo os factos assim tão claros (protocolo existente e assinado pelo Sr. Presidente da FPTT e um alegado "caderno de encargos" enviado somente a 31 de Dezembro de 2001, ou seja, 3 semanas antes do evento), o que impediu os organizadores de demandarem em instância apropriada a "outra parte" e exigir-lhe porventura o ressarcimento de eventuais prejuízos ocorridos, em vez de difundir "comunicados" como o que está em análise e que resulta numa enorme confusão para quem o lê?

"
• Nós acreditamos na palavra de Homem – Não precisamos de documentos escritos para fazer fé a qualquer coisa."

Isso, infelizmente, só será válido para combinações a título individual e nunca num evento de tamanha envergadura e responsabilidade! Mas: afinal não havia documento escrito... ou havia? Confesso que agora sou eu que estou confuso!

"• Nós somos rígidos nas regras – Não precisamos de atropelá-las para obtermos sucessos"

Correcto, se assim for! Por isso mesmo é que as "regras do jogo" têm sempre que ser definidas antes do mesmo e devidamente postas no papel e assinadas pelos contratuantes em tempo útil!


3. Apontamento final

De novo quero deixar aqui claro que tudo o que escrevo, todas as perguntas que faço são feitas exclusivamente a título pessoal! Ninguém me "mandatou", "pediu recado" ou coisa semelhante! Gosto do TT, vejo os esforços que praticantes e organizadores fazem ao longo do ano, e perante os factos e os relatos que se ouvem e lêem, fica-se numa tremenda dúvida: O que se passou? Será que terá havido "amadorismo" a mais, baseado numa eventual "boa-fé" de uma das partes? Não parece lógico, sabendo-se como os Madeirenses sabem estar no automobilismo. Qual a posição da presidência da Federação respectiva, a qual - que se saiba - se manteve até agora em silêncio? E porquê?

Em 2002 vai haver Campeonato. Era bom que se averiguasse a fundo os erros do passado (e lembro-me muito bem das enormes críticas que houve no ano anterior, em 2000) para que o TT "trialeiro" se possa desenvolver em paz e harmonia, com regras e atitudes perfeitamente claras à partida e para todos! O silêncio de uma das partes (neste caso da Federação) não servirá lá muito aos que este ano se irão esforçar em novo calendário de provas, a não ser que haja factos e/ou explicações que os envolvidos conheçam, e que o público anónimo desconhece. Fica a pergunta, na esperança de uma eventual resposta a bem da verdade do desporto.

Carlos Gilbert
(anónimo amante do TT)


 


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