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Falta de Civismo
Carlos Gilbert, em 2 de Julho de 2001
Cartas ao Director - Citação do Jornal PÚBLICO

É domingo, fim de tarde. Lá fora está estacionado o meu jipe familiar, à porta de casa. Está com algum pó e até com alguns riscos leves e superficiais. Nada que uma boa lavagem não elimine facilmente. Nós estamos cá em casa cansados, mas cheios de bem-estar. Que grande passeio de domingo! Como somos do Porto, demos uma volta pelas serras que ficam a cerca de uma hora da nossa cidade: Marão e as redondezas de Mesão Frio. Que fantásticas paisagens, que fabuloso dia, passado na companhia de mais uns amigos, também apologistas do todo-o-terreno! Costumo dizer que quem goza dias destes devia pagar "imposto paisagístico"!!

E que contraste para com o que escreveu há dias o leitor Carlos Lisboa, de Paço de Arcos, com o título acima! Fizemos dezenas de quilómetros pelas serras e vales, bosques e veredas de zonas agrícolas, mas sem sair um metro dos caminhos existentes e abertos ao público. Vimos a natureza em todo o seu esplendor, flores das mais variadas cores, o verde das mais diversas matizes, e ao fundo, o azul contrastante do rio Douro. Passámos por pequenas aldeias, cumprimentámos simpática gente daquelas paragens, degustamos a fabulosa bola de um café em Mesão Frio, acabada de sair do forno.

Passámos por inúmeros caminhos florestais já fora de uso há muito tempo, bordejados por giestas enormes, vimos restos de eucaliptos cortados e com a ramagem deixada de forma irresponsável e desleixada no solo, à espera da mínima faúlha, para dar origem a mais um pavoroso incêndio florestal.

E dei comigo a pensar nas palavras do leitor acima referido. Deverei eu ser alvo de "condenação social", como refere o sr. Carlos Lisboa, só porque tenho um veiculo 4x4 e faço uns ricos passeios pelas paisagens de Portugal? Não, não e não! Muito embora eu concorde que faz sentido o que o leitor em causa escreveu, pois infelizmente abundam por aí autênticos selvagens ao volante de jipes, motos TT e os abomináveis "quads" que se estão nas tintas para valores ecológicos, e nem um olhar de soslaio deitam para onde os seus veículos os levam. Portanto, e como sempre, há que separar o trigo do joio e "não tomar a nuvem por Juno"! Existe legislação própria que (em teoria) regulamenta a prática de TT em Portugal. Mas quem a cumpre, quem a fiscaliza? E quem condena, por exemplo, a RTP por num programa de fim-de-semana (o Sem Filtro) passar imagens de possuidores de motos TT e de "quads" a fazerem as maiores barbaridades numa qualquer praia portuguesa, o que é totalmente proibido por lei? Aí sim, estou de acordo com o sr. Carlos Lisboa! Há falta de civismo, há - concordo - ostentação por boa parte dos possuidores de jipes, que querem mostrar que são diferentes, por poderem andar fora do asfalto. E (já o escrevi aqui) é chique participar nos raides organizados por gente famosa, para depois se aparecer numa qualquer revista da dita actualidade.

Mas na natureza, nessa, só pensa quem por ela luta, quem limpa caminhos fora de uso, quem corta giestas enormes que barram o caminho aos bombeiros, quem alerta o 117 para avisar de um fogo florestal qualquer que está a começar algures. E decerto que não são os ditos "queridos" que participam nos chiquérrimos raides de fim-de-semana, a sonhar já na próxima ida a Marrocos ou à Tunísia (perdão, agora é a Líbia que está na moda...).

Como li há tempos num artigo de um todo-terrenista australiano: "Querem usar os caminhos rurais? Cuidem primeiro deles!"

Carlos Gilbert, 
Porto, 2 de Julho de 2001
  

http://jornal.publico.pt/publico/2001/07/02/EspacoPublico/OCRT02.html

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