©TTVerdePt (2000)   

A opinião*  de António Araujo (Tony)

A prática de Todo-o-Terreno e a conservação da Natureza em princípio estão em campos opostos. Na verdade, a única forma de preservarmos a Natureza seria se desaparecesse-mos da face da Terra. 

Não é fácil discutir este assunto, pois como Amantes do Todo-o-Terreno o facto de sermos obrigados a “prescindir” desta forma de escape não é de todo animador, mas um verdadeiro “TTézista” não «Ama» só a aventura e a relação homem / máquina / obstáculos. Um verdadeiro “TTézista” «Ama», também, a Natureza e aprecia todas as maravilhas que ela nos dá.      

Que fazer então ?!?
Na verdade desde que existimos que afectamos o mundo que nos rodeia, faz parte da nossa “Natureza”, não vale a pena  discutirmos o que é obvio, nenhum de nós estará com vontade de  deixar de dar umas “escapadelas” fora-de-estrada. Sendo impossível não deixarmos as nossas marcas por onde passamos, seja de 4X4 a pé ou de B.T.T., o que podemos fazer é encontrar um equilíbrio entre uma prática consciente de Todo-o-Terreno e a preservação do Ambiente.           

Eu considero preservação do Ambiente não só o cuidado com a Mãe Natureza mas também com as populações que habitam e trabalham nas mesmas zonas onde nós nos divertimos.  É verdade que um veículo de todo-o-terreno faz poluição,  quanto mais não seja o fumo que sai do tudo de escape, mas a verdade é que o Ambiente pode ganhar alguma coisa com a prática do Todo-o-Terreno alcançando-se assim  algum equilíbrio.

Como ?
Respeitando uma série de regras simples, mas que a serem cumpridas por todos nos permitirão não só que  continuemos a ter o “privilégio” de vivermos avenTTuras em saudável convívio com a  Natureza, assim como aos nosso descendentes :

1º Respeitar os trilhos já existentes, não sair deles fazendo “corta-mato”. Respeitar a actual legislação Portuguesa.  Ou seja, se nos confinarmos aos caminhos e trilhos já existentes não coremos o risco de “pisar” a flora ou danificar os terrenos. Deve-se, também, ter em consideração terrenos de particulares quer estejam lavrados ou em pousio, pois há muitos relatos de culturas e terrenos danificados, alguns com gravidade por praticantes do Todo-o-Terreno menos cuidadosos. 

Há que se ter em atenção a forma  com andamos por esses trilhos fora, é verdade que  às vezes a vontade de “acelerar” é bastante forte, o terreno convida e todos gostamos da adrenalina que advém de se fazer um trilho “poeirento” com o piso em bom estado, prego a fundo. Mas e o pó que levantamos e se irá depositar nas folhas das arvores, plantações e flora em geral ? Se um pouco não faz diferença, imaginem o que é um arbusto “pintado” de branco ou uma plantação de milho coberta de “terra” ; além disso deve-mos nos lembrar de que enquanto nos divertimos há  pessoas a trabalhar nos campos e a quem não será muito agradável  serem “banhados” por uma nuvem de poeira de cada vez que passa um “jipe”.  

É preciso não esquecer também a segurança, muitas vezes as pessoas “esquecem” que não estão numa pista fechada ao trânsito e que para alem delas há outros veículos, pessoas e animais, assim sendo uma velocidade moderada é altamente aconselhado para que uma saída fora-de-estrada não se transforme em pesadelo, seja para a Natureza, seja para as populações, seja para nós próprios.

 2º Não deixar lixo a marcar a nossa passagem, nem é muito  difícil de fazer, basta juntarmos todo o lixo numa saca e deposita-lo em local próprio. Quem anda no Todo-o-Terreno já se deparou mais do que uma vez no lixo que alguém deixou, não é uma imagem agradável, é essa a mensagem que deve ficar gravada na nossa  mente, não custa nada levar o nosso lixo e às vezes levar o lixo dos outros, uma garrafa de vidro na floresta pode provocar um incêndio. Alertar outros para este problema não nos deve envergonhar, antes pelo contrário a vergonha é de quem é “porco” o bastante para deixar um rasto de lixo por onde passa. 

A titulo de exemplo conto uma história verídica que é um exemplo para todos nós: O senhor Silva (nome fictício) passeava com a família por uma estrada do litoral quando num veículo que circulava à sua frente atiram janela fora uma fralda descartável, o Sr. Silva, para o carro e apanha a fralda, seguindo atrás do veículo donde ela tinha “voado”, mais à frente esse carro para numa esplanada da moda e sai um “casalinho” com o seu bébé, instalando-se numa mesa, o Sr. Silva aproxima-se deles e falando educadamente mas num tom de voz alto,  pousa a fralda na mesa e diz:

-                  Desculpem ! Deixaram cair ISTO lá atrás na estrada...

Escusado será dizer que toda a gente ficou a olhar para o “casalinho” com ar de reprovação, enquanto o Sr., Silva voltava ao seu passeio com a certeza de que a vergonha por que passaram não seria esquecida pelo “casalinho”.

 3º Ter o máximo de cuidado no uso de guinchos, correntes e cordas para desatolar um todo-o-terreno, se possível devemos usar uma pedra, no caso de ter que ser uma arvore esta deve ser de grande porte e envolta numa cinta, pois uma corrente ou corda pode danifica-la seriamente. Tudo tem o seu limite e as arvores também,  sendo assim não devemos “pedir” à arvore que aguente com um jipe de 2,5 Toneladas ou mais correndo o risco de quebrar, entortar ou deslocar as raízes, é preferível ignorarmos o nosso “EGO”, darmo-nos por “VENCIDOS” e ir pedir ajuda. 

No caso de um jipe atolar na lama devemos também lembrar que os caminhos que usamos para diversão,  são usados por outros para trabalhar ou se deslocar, assim sendo deve-se ter todo o cuidado para não o danificar em demasia. Todos gostamos de andar na lama, mas e o estado em que fica um trilho depois da passagem de 40 jipes a alta velocidade e a escavar ? Não estou a dizer para não usarmos os trilhos quando chove e há lama, apenas afirmo que devemos pensar nos outros quando fazemos  Todo-o-Terreno, se isso implica a perda de alguma adrenalina, é um sacrifício que temos de fazer para o bem de todos.

 4º O nosso veículo deve se encontrar nas melhores condições ou seja o motor deve estar afinado evitando assim fumos e perdas de  óleos, devemos verificar se não há fugas de líquidos, tais como dos travões direcção assistida etc. Em passeio não raras as vezes, é necessário parar seja para apreciar a paisagem ou “apalpar” o terreno, se virmos que vamos estar parados mais do que dois minutos não custa nada desligar o motor, poupamos combustível e a Natureza.

 5º Simpatia e Amabilidade. Para modificarmos a ideia criada sobre os TTézista, além de respeitarmos as regras antes descritas, temos que usar a simpatia e amabilidade para com os outros, ou seja, na estrada, não custa nada dar passagem ao outro  condutor deixando neste a ideia de que quem tem um jipe não é um prepotente que faz uso do seu tamanho para se impor na estrada.

No campo devemos ter o cuidado para não incomodar as populações,  fazendo o mínimo de ruído e pó. Até o falar com os habitantes, traz   benefícios, não só podemos aprender muito como deixamos a impressão de que foi um grupo de pessoas simpáticas e amáveis que tiveram um pouco de atenção para uns “velhinhos” esquecidos e que serão sempre bem recebidos. Se ao contrário, formos para o monte fazer-mos corridas a impressão que fica é a de um grupo de Snobes da cidade que vieram assustar os animais poluir e estragar caminhos e campos e que na próxima vão encontrar é portões  fechados, caminhos  vedados e antipatia. Vale a pena pensar nisso, não acham ?

 Agora sejamos francos. É difícil de cumprir estas cinco regras ?

 A nós que gostamos da avenTTura e do contacto com a Natureza cabe a tarefa de lutarmos por um Ambiente melhor, pode não ser muito fácil no início mas não é impossível. 

Todos juntos podemos fazer mais pelo Ambiente e pelo Todo-o-Terreno, para que ambos possam viver num convívio saudável e próspero. 

Os caminhos  que mantemos transitáveis, ajudam populações, Bombeiros e serviços florestais, o lixo que limparmos pode evitar incêndios, as populações afastadas podem deixar de o ser, tudo depende da nossa atitude.

Boas AvenTTuras, Diversão e um saudável convívio com o Ambiente.

 Tony   ;)

 * (texto enviado pelo autor em 25 de Janeiro de 2001)

Comentários para   contacto@ttverde.com 

 

 

0

 

 

 

 



O canal do Tempo, de Luís Sanches  [xiritung@clix.pt]
InforTempo

Pesquisar o TTVerdePT


 

 
 

Pesquisa Naturlink



 

Contacto webmaster@ttverde.com